sexta-feira, 1 de maio de 2009

Revivi uma parte da minha vida.

Ontem estive a ler um fórum de Mamãs e Bebés e aterrei num tópico de mamãs que sofreram discriminações no trabalho por terem filhos ou estarem grávidas.. Revoltou-me de uma maneira ler as histórias delas!!! Não é novidade para mim que isso acontece e que também é frequente que se a grávida ou mamã tiver uma chefia mulher, a discriminação ainda é maior!!!

São tudo coisas que sei, mas que me revolta saber, porque não devia acontecer, porque é a etapa mais bonita na vida de uma mulher! E essas chefias, que muitas vezes, também já foram mães como são capazes de ser tão insensíveis?

Eu sei, porque já passei por isso.

Trabalhei até às 36 semanas, apenas 3 semanas antes de nascer a minha filhota, sentia-me bem e não tinha nenhuma restrição médica para não o fazer, mas claro que fui forçada a trabalhar até essa data, não me foi dito que tinha de trabalhar, mas que as empresas precisavam do meu apoio e visto que eu era consultora de várias empresas, não podia deixar de lhes dar apoio sempre que elas o pedissem.

Sim, mas eu avisei a minha ex-chefe (sabe tão bem dizer isto, tinha de ser mulher, a sacana) que estava grávida às 7 semanas, ela teve 29 semanas para arranjar uma solução! Claro que nunca arranjou e apesar de eu lhe ter dito que tencionava ficar com a minha filha até ela ter 4 meses, tal como era o meu direito por lei, ela marimbou-se no assunto e nada fez! Eu estava a recibos verdes... como tantas mães pelo nosso Portugal... e paguei por isso.

Durante a gravidez fartei-me de ouvir bocas de como as grávidas ficavam disformes e outras parvoíces relacionadas com o incógnita do fim da gestação. Às perguntas das empresas sobre quem é que me iria substituir, ela dizia que ia tratar do assunto que não se preocupassem por isso...

No dia das contracções ainda eu analisava documentos que as empresas me mandavam por mail... A minha filha tinha 2 dias e continuavam a mandar-me documentos para eu analisar e a minha chefe a compactuar com isso... como se meteram as férias do Verão para algumas empresas, deixaram-me em paz durante algum tempo.

A meio de Agosto, ela chamou-me ao gabinete dela e disse-me que se eu não voltasse ao trabalho em Setembro, ela teria de arranjar outra pessoa para o meu lugar, pois as empresas não podiam ficar sem apoio... Perguntei se em Novembro poderia então regressar ao meu trabalho, disse-me que não, pois já lá teria outra pessoa. Cedi. Não tive outro remédio, fiquei triste com a situação que estava a viver, chorei tanto por não poder ficar com a minha filhota mais dois meses...
E assim foi, no início de Setembro a banitita foi comigo para o meu trabalho durante 15 dias ao fim dos quais foi para a creche. Entrou no berçário com 2 meses e meio, nunca lá tinha entrado uma bebé tão pequenina desde que o colégio tinha aberto há mais de 15 anos... E eu, lamento dizer que fui a primeira... Ainda recebi olhares e comentários de troça de um homem que lá trabalhava porque levava todos os dias a espreguiçadeira e montes de brinquedos para o trabalho... Ficava tão zangada com tudo isso!

A minha ex-chefe gabava-se de ter ido para reuniões com a filha na sua cadeirinha debaixo da mesa e ali ficava sossegadinha até acabar a reunião e de ter feito viagens de avião até aos 8 meses e meio de gravidez!!

E como ela o fez e pôde, queria também que eu fizesse! Mas nessa altura, a minha médica disse-me que nem pensar, viagens de avião só até aos 6 meses! E também não era muito fã das imensas viagens de carro que eu fazia e com a gestação já mais avançada, mas aí eu não pude ceder. Gosto de andar de carro, não me cansei por isso e se tivesse desistido também das viagens de carro, aí é seria convidada a desistir de oferecer os meus préstimos... se ao menos eu tivesse fincado o pé aí, talvez as coisas talvez tivessem sido diferentes! Talvez eu não tivesse de faltar tanto ao trabalho porque a minha filhota adoecia com facilidade! Pudera, foi tão pequenina para lá que nem uma semana depois começaram as doenças! Todos os meses tinha de ficar em casa com ela, por isto ou por aquilo!

Tive a minha vingançazita, quando vim para aqui e lhe disse que a viagem definitiva era no final de Outubro de 2007 quando só era em Janeiro de 2008! Saí sem olhar para trás e pouco me lixando para as empresas que tanto precisavam do meu apoio! E no final ainda me disse que não compreendia a minha saída, perguntando-me o que é que eu ia fazer para o México?

Por tudo isso, eu quero ter filhos enquanto cá estiver, não tenho trabalho, mas também não tenho uma entidade patronal a que prestar contas na hora da gravidez, parto, licença de maternidade, etc!Vocês, mulheres grávidas e mamãs não cedam a estas pressões. Não vai haver altura melhor da vossa vida do que a gravidez ou licença de maternidade para disfrutar os vossos filhotes! Aproveitem-na e não deixem que ninguém as impeça de viverem esses dias maravilhosos!
Eu, conto fazer o mesmo da(s) próxima(s) vez(es)!

6 comentários:

R disse...

Banita:
Vim ver como estás. Li o teu post. De facto estar a recibos verdes é muito mau e ainda pior se é uma mulher grávida. E concordo contigo as mulheres chefes, por vezes são piores do que os homens. Não devia ser assim,porque devia haver solidariedade, mas não há. Nós nos somos muito boas umas para as outras essa é que é a verdade.Por vezes é melhor trabalhar com homens. Está tudo bem contigo por aí? Beijinhos para vocês. Eu vou passando.

undutch disse...

Eu também fui uma precária até vir para a Holanda e, infelizmente, assisti a colegas minhas que, na mesmíssima situação, iam trabalhar após um mês de terem tido bebé. Uma tristeza, mas se não trabalhassem, não recebiam e por isso todas se sujeitavam. Como assisti sempre àquilo com grande revolta (pois apesar de sermos precárias tínhamos hierarquia e horários) jurei que nunca embarcaria nessa angústia de acabar de parir e deixar a criança quase de imediato. Só tenho de facto pena é que com tudo isto já vá ser uma mãe-avó, mas é a ausência de estabilidade que nos faz pensar (e muito) se não será imprudência e irresponsabilidade decidir ter um filho mediante tão lamentáveis condições profissionais, quando até por isso somos perseguidas sem piedade no local onde passamos mais tempo que com a própria família.

Banita disse...

@ Mariinha
Eu sempre gostei de trabalhar mais com homens... e só tive uma chefe mulher que foi a que descrevi... era boa profissional, mas não tinha um pingo de humanismo, solidariedade com os funcionários...
Não te preocupes, nós estamos todos bem! :)

Banita disse...

@ undutch
Perseguidas é um termo forte, mas neste caso, muitíssimo bem escolhido!
Desde que sintas que tens condições, nunca serás uma mãe-avó!
A minha avó é que foi mãe-avó, teve o meu pai aos 40 e aos 44 a minha tia, mas não foi por falta de estabilidade profissional ou falta de vontade... a naturaza não quis, mesmo.
por isso, vai sendo tempo de pensares nisso, mas quando te sentires segura, ou quando houver um acidente... LOL
Eu acho que a natureza tem formas próprias de dizer: "Já chega! Já gozaste muito, agora toca a dormir menos horas, andar mais cansado que isto de ter um filho não é pêra doce, caso não saibas!"
Beijinhos.

Isabel disse...

Olá prima
pois é.....é triste mas sim ainda hoje se descrimina as mulheres que têm filhos.
Eu não consigo perceber mesmo
A minha prima Paula não sei se te lembras dela, foi dispensada agora do trabalho com a desculpa que lhe deram que tinha dois filhos pequenos e que não conseguia fazer horas extras, e ela nunca as deixou de fazer e nunca se recusou a fazer, porque até tem a sorte de ter os pais que podem ficar com os dois pequeninos o Afonso de 2 anos e a Inês de 1.
É revoltante e muito triste.
Mas é a porcaria de País que temos...
Jokas a todas
isabel

Banita disse...

@ Isabel
Muito mal vai o futuro do nosso país, quando os nossos empregadores não facilitam que as suas funcionárias sejam Mães...
Essa história que contaste é muito feia! Não deveria suceder, nunca!