Encontrei este texto e fez me sentir que não estou sozinha e que de facto educar é uma tarefa bem difícil! Para tentar aplicar diariamente e manter a cabeça fria na hora de educar.
"Os reguilas ou…a idade do “NÃO!”
A fase dos 2/3 anos é uma fase cheia de mudanças. É a idade do não, em que parece que a criança faz tudo ao contrário do que lhe é pedido, percebe que tem vontade própria e testa a sua autonomia.
Chamadas de atenção
É a fase do egocentrismo infantil, em que a criança considera que tudo existe por ela e para ela chamando continuamente a atenção dos outros sobre si própria. Não aceita as críticas e tem dificuldade em respeitar regras, o que muitas vezes resulta em birras e choradeiras. As birras não têm obrigatoriamente que ser momentos terríveis, podem mesmo converter-se em momentos únicos de educação, se os pais souberem lidar com elas, compreendendo o que existe por detrás. Embora seja difícil fazer uma criança desta idade entender o motivo de uma recusa, é bom transmitir-lhe o porquê das coisas, não dando apenas uma ordem ou dizendo “não”.
A descoberta dos limites
A criança começa a compreender o que pode e o que não pode fazer, mas tenta fazer tudo sozinha, apesar de precisar da ajuda dos adultos. É uma fase de descoberta dos seus próprios limites. Deve ser-lhe permitido tentar, até que perceba que não é capaz e solicite ajuda. Explicações simples ajudá-la-ão a compreender o que é certo e o que é errado. Mas nada melhor que o exemplo dos adultos, sobretudo porque nesta idade a criança imita o adulto do mesmo sexo. Aprende observando e gosta de participar nas conversas e nas actividades dos adultos.
Comportamentos inadequados
Na maioria das vezes os pais não sabem como reagir a estas situações, acabando por actuar de formas que irão consolidar os comportamentos inadequados, ao invés de os controlar. Se os pais observarem melhor as suas crianças, perceberão que grande parte da sua teimosia está relacionada com o seu crescimento e com o delimitar da sua individualidade e ideias próprias.
Regras e limites
É muito importante que, à medida que as crianças crescem e começam a compreender a ligação entre a cada acção e a consequência que é gerada por ela, os pais saibam estabelecer regras e limites. Muitas vezes a criança tem acesso directo à punição, sem que antes lhe tenha sido explicado o porquê de não poder ter determinada conduta e aquilo que é esperado dela.
O ciclo vicioso
Diversas vezes surgem, nesta fase, círculos viciosos de relacionamento entre os pais e os filhos, difíceis de quebrar. Um comportamento negativo da criança gera uma resposta inadequada dos pais, seguindo-se um novo comportamento inadequado e nova resposta negativa dos pais. Estes círculos são representativos de uma dificuldade por parte dos pais em lidar com as birras e com a teimosia da criança.
As primeiras decisões
Para se saber lidar com essas situações, há que compreender o que existe por detrás delas. Por volta dos dois / três anos, as crianças apercebem-se de que podem ter opiniões e desejos próprios, começando a manifestar a sua vontade e a querer tomar decisões. É um período de afirmação, em que lhes interessa o aqui e o agora, bem como a satisfação imediata dos seus desejos. Inevitavelmente, estes chocam muitas vezes com as restrições impostas pelos pais.
Os castigos
Ao colocar limites, o adulto demonstra preocupação com a criança. A criança pode chorar, fazer birras e insistir, mas isso faz parte do seu processo de socialização. Durante o seu desenvolvimento, estabelecer e conhecer os limites é saudável, embora deva haver o cuidado de não induzir culpa, mas sim responsabilidade. Se um limite é ultrapassado, se uma regra não é cumprida, deve existir um castigo. No entanto, o castigo deve ser aplicado de imediato e deve ser proporcional ao acto cometido, bem como adequado à idade da criança. Convém não esquecer que todo o castigo que não é compreensível para a criança se torna inútil e desadequado. Ao determinar o castigo, os pais devem também questionar-se sobre se a falta não terá resultado de uma atitude pouco educativa da sua parte ou de uma distracção.
A coerência
É, sobretudo, importante que haja coerência na educação da criança, o que inclui todos os sistemas educativos em que ela está integrada, onde se inclui a família e a escola ou jardim infantil. Há que existir uma disciplina global, coerente e positiva, baseada na compreensão, que lhe permita a interiorização de normas e regras, necessárias ao bom desenvolvimento e ao bem-estar emocional, quer no presente, quer no futuro.
Segundas oportunidades
A coerência é a chave para a educação. Mesmo que por vezes seja mais fácil para os pais ignorarem determinado comportamento, devem ter consciência de que estão a abrir um precedente e a ser incoerentes. A criança irá aprender que o poderá fazer mais vezes sem qualquer punição, o que tornará muito mais difícil explicar-lhe o porquê de tal não ser permitido. Isto não significa que não possa ser dada à criança uma segunda oportunidade, que não haja negociação ou que não lhe seja permitido errar. No entanto, qualquer alteração à regra ou a não aplicação do castigo anteriormente prometido, deve ficar bem esclarecida, de modo que a criança entenda as razões do seu cariz excepcional. Estas questões são muito importantes, uma vez que, se não forem bem explicadas e compreendidas, poderão originar um enfraquecimento de todas as regras colocadas e fazer com que a criança acredite que se insistir muito, consegue sempre o que quer. "
Venha de lá mais uma birra que eu estou pronta!!